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Brasil tem mais de 1 milhão de imóveis anunciados para locação por temporada, aponta estudo internacional
Relatório do Inside Airbnb analisa 8 milhões de anúncios em 224 países e reacende debate sobre os impactos das locações de curta duração no mercado imobiliário
O Brasil figura entre os maiores mercados de locação por temporada do mundo, com mais de 1 milhão de imóveis anunciados em plataformas digitais, segundo o relatório internacional *The Threat of Short-Term Rentals to Housing* (A ameaça das locações de curta duração à habitação), divulgado em 2026 pela organização independente Inside Airbnb.
O estudo analisou aproximadamente 8 milhões de anúncios ativos em 224 países e territórios e concluiu que as plataformas de hospedagem de curta duração deixaram de ser predominantemente um modelo de compartilhamento de residências para se consolidarem como um segmento profissionalizado do mercado turístico.
Segundo os autores, o crescimento desse tipo de hospedagem tem reduzido a oferta de imóveis disponíveis para moradia permanente em diversas cidades do mundo, especialmente em destinos turísticos e regiões centrais. O relatório aponta ainda uma correlação entre o aumento da oferta de locações de curta duração e a elevação dos preços dos aluguéis residenciais.
Entre os principais achados, o estudo destaca que a maior parte da receita gerada pelas plataformas é proveniente de imóveis inteiros, e não do aluguel de quartos ou espaços compartilhados, como ocorria nos primeiros anos do Airbnb. A pesquisa também identificou um crescimento significativo de anfitriões profissionais e empresas que administram múltiplos imóveis.
Debate cresce em vários países
O relatório cita exemplos de cidades como Barcelona, Lisboa, Paris, Amsterdã e Nova York, que passaram a adotar regras mais rígidas para o setor, incluindo exigência de licenciamento, limites anuais de hospedagem e restrições para imóveis que não sejam residência principal do proprietário.
Os autores defendem que medidas regulatórias são necessárias para equilibrar a atividade turística e a disponibilidade de moradias para a população local.
Cenário baiano é diferente dos grandes centros internacionais
Para Alice Vargas, gestora da Luar Hospedagem e especialista em locação por temporada na Bahia, é importante analisar os dados dentro da realidade de cada mercado. "Os desafios enfrentados por cidades como Barcelona ou Nova York são muito diferentes do contexto encontrado em grande parte da Bahia, que responde por apenas 6,8% dos anúncios no país. Em destinos turísticos como Guarajuba, Praia do Forte e diversas regiões do litoral norte, a locação por temporada faz parte da dinâmica econômica local e contribui para movimentar o comércio, a gastronomia, os serviços e a geração de renda", afirma.
Segundo ela, o crescimento da atividade deve vir acompanhado de profissionalização e diálogo com o poder público. "A tendência mundial é de maior regulamentação e transparência. Para os anfitriões que trabalham de forma profissional, seguindo regras e oferecendo experiências de qualidade, esse movimento pode representar uma oportunidade de fortalecimento do setor", avalia.
Mercado em expansão
Apesar das críticas apresentadas pelo relatório, especialistas observam que a locação por temporada também desempenha um papel relevante na democratização do turismo, permitindo que viajantes encontrem opções mais flexíveis de hospedagem e que proprietários monetizem imóveis ociosos.
No Brasil, o setor continua em expansão, impulsionado pelo crescimento do turismo doméstico, pela digitalização das reservas e pela busca crescente por hospedagens com mais espaço, privacidade e estrutura para estadias de curta e média duração.
Acesse o Relatório *The Threat of Short-Term Rentals to Housing*, Inside Airbnb (2026).